domingo, 5 de outubro de 2014

Diário da Consciência

Nem sempre a vida é como queremos. Só descobrimos muitas coisas após anos de experiências e de profundo amadurecimento e consciência.
Você nasce em uma família e espera que seus cuidadores o ajudem a tornar uma pessoa melhor, um adulto saudável, principalmente emocionalmente. Entretanto, eles em vários momentos não deram o exemplo, sufocaram-me e me fizeram refém em uma prisão com um alto preço a ser pago, caso eu quisesse a minha liberdade. Eram críticas, cobranças, humilhações, comparações, mescladas com atitudes de bondade. No meu caso, descobri que, ao longo da minha infância e juventude, desenvolvi certos padrões e normas automáticas de funcionamento mental, ou seja, crenças negativas sobre tudo o que dizia respeito a mim e que eram altamente constantes, estavam arraigadas no meu dia a dia, na minha alma. Eu tinha respostas automáticas que moviam minhas ações, só que eu não tinha consciência disso.
Essas respostas envolviam de tudo: julgamentos constantes, vergonha, choro, desespero, medo, cobrança, culpa, preocupação excessiva, ansiedade, estresse, baixa autoestima, insegurança, solidão e perfeccionismo. Passei a estabelecer padrões de atingimento de alvos (muitos irrealistas) , ou seja, eu me obrigava (até sem a interferência de ninguém)  a cumpri-los e, caso eu não os atingisse, eu era uma fracassada.  Era uma pressão constante e excessiva deles sobre mim e de mim sobre mim mesma. Todas as respostas fizeram com o que eu não me aceitasse e me considerasse um lixo e uma sombra. Desenvolvi alguns problemas físicos decorrentes desse sofrimento e por abafar o meu verdadeiro eu.
No fundo, eu sabia que tinha algo de errado nas ações desses cuidadores, pois nunca a minha versão dos fatos era correta. Parece que eu devia a eles uma submissão sem fim. Eu devia respeitá-los porque eram mais velhos e detinham a verdadeira sabedoria. Queriam manter a dependência acesa a qualquer custo. Mesmo dizendo que queriam o melhor para mim, as ações não diziam isso. Nada era como eu enxergava ... era ilusão ... eu tinha que seguir sempre o que eles falavam sem reais motivos. Tudo era coisa da minha cabeça, eu estava ficando louca!!
Hoje, estou em processo de cura emocional, sou uma sobrevivente de todos esses sentimentos negativos e trabalho arduamente para despadronizar atitudes que eram tão comuns e que, após reflexão e consciência profunda, vi que eram nocivas. Estou procurando me resgatar.
Não vou aqui discutir sobre minha criação ou responsabilizar ninguém. É muito difícil para a sociedade entender o seguinte: como pais e cuidadores que deveriam nos amar, podem nos prejudicar? A única coisa que desejo é que todos tenham muita atenção às suas ações sobre os filhos.
Por meio da consciência sobre os fatos, leituras, diálogos internos, pude vivenciar uma liberdade sem igual e assumir a responsabilidade pela minha própria vida. Percebi que a pessoa mais importante na minha vida sou EU.
Busco pensar mais positivamente, acreditar mais em mim e em meus potenciais e abraçar os erros. Aprendi que não posso ter o controle de tudo e que eu não sei tudo. Eu me amo muito mais!! Me imponho mais!! Não sou mais refém dos outros!!
Parei também de comparar-me com os outros. Isso é inútil, pois cada um tem uma história e um caminho. Sou única!!
Observo diariamente o meu céu interior. Lindas cenas ... aos poucos a compreensão vai acontecendo. Segundo OSHO, a compreensão é o segredo da transformação.
Quanto mais consciente, mais fundo eu mergulho, totalmente dentro da minha casa.
Não crie infelicidade para si mesmo devido à atitude dos outros.
Além disso, eu sempre penso: Esse estresse, essa reação, isso realmente vale o meu desgaste?
Hoje, eu estou mais presente no agora, buscando sempre estar consciente de tudo.
A consciência vai para dentro, a inconsciência vai para fora. A inconsciência faz que te interesse no outro: outras coisas, outras pessoas, mas sempre outros. A inconsciência te mantém em uma completa escuridão, seus olhos seguem enfocando outras coisas. Cria uma espécie de exterioridade, faz-te extrovertido. A consciência cria interioridade, faz-te introvertido, leva-te para dentro, cada vez a maior profundidade ... E mais profundidade significa também mais altura; as duas crescem de uma vez, como crescem as árvores. Seu solo os vê crescendo para cima, não vê as raízes que crescem para baixo. Mas primeiro as raízes têm que crescer para baixo, solo então pode a árvore crescer para cima. Se uma árvore quer chegar até o céu, terá que enviar raízes até o fundo mesmo, a maior profundidade possível. A árvore cresce simultaneamente nas duas direções. Exatamente do mesmo modo cresce a consciência. Para cima ... para baixo, afundando suas raízes em seu ser - OSHO

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